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Dra. Amanda Laina
Saúde Mental

TDAH infantil: sinais, diagnóstico e como ajudar seu filho

Seu filho é muito agitado, desatento ou impulsivo? Entenda os sinais de TDAH em crianças, como funciona o diagnóstico e o que você pode fazer. Guia completo para pais.

Dra. Amanda Laina
Dra. Amanda LainaMédica | CRM BA 37459
5 de março de 20268 min de leitura
Criança concentrada brincando com peças coloridas

"Dra., meu filho não para quieto. Será que é TDAH?" Essa é uma das perguntas mais frequentes que escuto no consultório. E eu entendo a angústia por trás dela — você quer entender o que está acontecendo e, principalmente, como ajudar.

Vamos conversar sobre isso com calma, sem rótulos e com muita ciência.

O que é o TDAH?

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é uma condição neurobiológica que afeta o funcionamento do cérebro em áreas relacionadas à atenção, controle de impulsos e regulação do comportamento.

Não é falta de educação. Não é preguiça. Não é culpa dos pais. É uma condição real, com base genética, que afeta cerca de 5 a 7% das crianças no mundo todo.

Os 3 tipos de TDAH

O TDAH não se manifesta igual em todas as crianças. Existem três apresentações:

1. Predominantemente desatento

Características:

  • Dificuldade em prestar atenção em atividades (inclusive brincadeiras)
  • Dificuldade em seguir instruções até o final
  • Dificuldade em organizar tarefas e materiais
  • Dificuldade em lembrar de compromissos e atividades do dia a dia
  • Dificuldade em manter o foco quando algo não é muito estimulante
  • Dificuldade em iniciar tarefas, mesmo quando sabe o que precisa fazer
  • Parece não escutar quando alguém lhe dirige a palavra diretamente
  • Perde objetos com frequência (brinquedos, material escolar, casacos)
  • Esquecimentos frequentes em atividades do cotidiano
  • Relutância em se envolver com atividades que exijam esforço mental prolongado (lição de casa, leitura, jogos com regras complexas)

Esse é o tipo que mais passa despercebido, especialmente em meninas, porque não causa tanta "bagunça" em sala de aula.

Em adolescentes, o subtipo desatento costuma se manifestar também como uma alteração na noção de tempo — o jovem subestima quanto tempo precisa para realizar tarefas, deixa tudo para a última hora e tem dificuldade crônica com prazos. Isso não é preguiça nem falta de interesse: é uma característica do TDAH que contribui diretamente para a procrastinação.

2. Predominantemente hiperativo-impulsivo

A criança:

  • Não consegue ficar sentada por muito tempo
  • Corre e escala em momentos inapropriados
  • Tem dificuldade em seguir as regras da sala de aula
  • Apresenta dificuldade para lidar com frustrações
  • A hiperatividade não ocorre relacionada a uma tarefa específica, ou seja, não tem propósito e afeta negativamente o ambiente
  • Fala excessivamente, interrompe conversas
  • Possui dificuldade em manejar a raiva
  • Podem se envolver mais frequentemente em brigas ou situações e esportes arriscados
  • Tem dificuldade em esperar sua vez
  • Dificuldade em manter atenção na leitura
  • Age sem pensar nas consequências
  • Fornece respostas rápidas a questões ou testes, levando frequentemente a erros

Na adolescência, a hiperatividade motora tende a reduzir, passando a ser percebida como uma sensação subjetiva de inquietude mental.

3. Combinado (desatento + hiperativo/impulsivo)

É a forma mais comum. A criança apresenta sintomas significativos de ambos os tipos.

Toda criança é agitada às vezes. O que diferencia o TDAH é a intensidade, frequência e impacto dos sintomas — eles precisam estar presentes em mais de um ambiente (casa e escola, por exemplo) e causar prejuízo funcional.

Sinais de alerta por faixa etária

Pré-escolares (3 a 5 anos)

  • Agitação motora intensa, muito além do esperado para a idade
  • Dificuldade em brincar em silêncio ou em atividades calmas
  • Não consegue esperar a vez em brincadeiras simples
  • Muda de atividade a cada poucos minutos
  • Acidentes frequentes por impulsividade

Escolares (6 a 12 anos)

  • Desempenho escolar abaixo do potencial
  • Esquece materiais, tarefas e recados
  • Dificuldade em completar atividades
  • Parece "no mundo da lua" durante aulas
  • Problemas de relacionamento com colegas
  • Baixa autoestima e frustração frequente

Adolescentes (12 a 18 anos)

  • Desorganização crônica
  • Procrastinação intensa
  • Dificuldade em planejar e cumprir prazos
  • Impulsividade nas relações e decisões
  • Ansiedade e/ou sintomas depressivos associados

Dica importante

O TDAH não "aparece" de repente. Os sinais estão presentes desde a infância, mas muitas vezes só são percebidos quando as demandas acadêmicas e sociais aumentam.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico do TDAH é fundamentalmente clínico — ou seja, é feito a partir de uma avaliação médica cuidadosa e detalhada. Não existe um exame de sangue ou de imagem que "confirme" TDAH.

A avaliação geralmente inclui:

  1. Anamnese detalhada — história completa da criança, desde a gestação
  2. Critérios diagnósticos — DSM-5
  3. Observação do comportamento — em consultório e em relatos de diferentes ambientes
  4. Avaliação neuropsicológica — quando necessária, para entender o perfil cognitivo
  5. Exclusão de outras causas — ansiedade, depressão, problemas de visão/audição, sono, etc.

O diagnóstico deve ser feito por médico com experiência em TDAH e neurodesenvolvimento. Esse é um dos focos da minha prática — se você suspeita de TDAH no seu filho, vamos conversar?

"Mas toda criança é assim..."

Essa frase é bem comum. E sim, toda criança é agitada, desatenta e impulsiva em algum grau — isso faz parte do desenvolvimento. Mas existem diferenças importantes:

Comportamento típicoPossível TDAH
Agitado em situações estimulantesAgitado o tempo todo, em qualquer contexto e ambiente
Esquece algo de vez em quandoEsquece coisas constantemente
Impulsivo em momentos de empolgaçãoImpulsivo mesmo em situações calmas
Melhora com lembretes e limitesDificuldade persiste apesar de estratégias
Desempenho escolar compatívelDesempenho muito abaixo do potencial

O que fazer se você suspeita de TDAH?

1. Não rotule — observe

Antes de qualquer coisa, observe seu filho em diferentes situações. Anote os comportamentos que te preocupam, quando acontecem, com que frequência e o impacto que causam.

2. Converse com a escola

Peça um relato da professora sobre atenção, comportamento e desempenho. Compare com o que você observa em casa. A escala SNAP-IV ajuda a identificar os sintomas e pode ser preenchido por pais, professores e cuidadores das crianças e adolescentes com suspeita de TDAH.

3. Procure avaliação profissional

Agende uma consulta comigo para que eu possa avaliar o que está acontecendo. A avaliação leva tempo e é isso que garante um diagnóstico correto.

4. Não compare

Cada criança é única. Comparar seu filho com o primo, o vizinho ou o colega só gera ansiedade — para você e para ele.

Tratamento: o que funciona?

O tratamento do TDAH é multimodal, ou seja, combina diferentes estratégias:

Intervenções comportamentais

  • Rotina estruturada e previsível
  • Instruções claras e curtas
  • Reforço positivo (elogiar o que faz certo, não só corrigir o errado)
  • Organização visual (quadros, checklists, timers)
  • Treino de habilidades sociais

Intervenção escolar

  • Sentar mais perto da professora
  • Avaliações com mais tempo
  • Instruções divididas em etapas menores
  • Ambiente com menos distrações

Medicação

Em muitos casos, a medicação é uma ferramenta importante e segura. Os medicamentos para TDAH, quando bem indicados, podem transformar a qualidade de vida da criança e da família.

A decisão sobre medicação deve ser individualizada e tomada em conjunto entre a família e o médico. Não existe uma resposta única — cada criança é avaliada no seu contexto.

Acompanhamento psicológico

Terapia cognitivo-comportamental ajuda a criança a desenvolver estratégias de organização, controle emocional e autoconhecimento.

O que você pode fazer em casa

  • Estabeleça rotina: TDAH e rotina são grandes aliados. Use quadros visuais.
  • Elogie o esforço: Não só o resultado. "Vi que você se esforçou muito para terminar a tarefa!"
  • Seja paciente: Repetir instruções faz parte. Não é teimosia, é neurobiologia.
  • Cuide de você também: Criar uma criança com TDAH pode exigir muito. Busque apoio.
  • Informe-se: Quanto mais você entende o TDAH, melhor consegue ajudar seu filho.

Lembre-se

TDAH não é sentença. Com diagnóstico correto, tratamento adequado e uma família informada, crianças com TDAH podem — e vão — prosperar. Muitas pessoas brilhantes e bem-sucedidas têm TDAH.

Mitos que precisamos derrubar

  • "TDAH não existe" — Existe, e é reconhecido pela OMS e por todas as principais sociedades médicas do mundo.
  • "É culpa dos pais" — TDAH tem base genética. Não é causado por educação.
  • "Remédio faz mal" — Quando bem indicado, o medicamento é seguro e precisa ser monitorado.
  • "Passa com a idade" — Em muitos casos, os sintomas persistem na vida adulta. Tratar na infância melhora o prognóstico.
  • "Basta ter disciplina" — Disciplina é importante, mas não resolve sozinha uma condição neurobiológica.

Se você reconheceu sinais de TDAH no seu filho, eu quero te ajudar. Vamos conversar sobre o que você está observando e traçar o melhor caminho juntos — com calma, sem pressa e sem julgamento.

Dra. Amanda Laina

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Agende uma consulta e vamos conversar sobre o desenvolvimento do seu filho(a) com calma e carinho.

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