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Dra. Amanda Laina
Desenvolvimento

Sinais de autismo em bebês e crianças: o que observar em cada fase

Conheça os principais sinais de autismo (TEA) em bebês e crianças. Saiba o que observar em cada faixa etária e quando buscar avaliação profissional.

Dra. Amanda Laina
Dra. Amanda LainaMédica | CRM BA 37459
5 de março de 20266 min de leitura
Bebê interagindo com brinquedos sensoriais coloridos

Se você está lendo este artigo, provavelmente já percebeu algo diferente no seu filho e quer entender melhor. Talvez uma avó tenha comentado, talvez a escola tenha levantado uma preocupação, ou talvez seja aquela intuição de mãe que não te deixa em paz.

Eu quero te dizer: buscar informação é o primeiro passo mais corajoso que você pode dar. Vamos conversar sobre os sinais de autismo em cada fase, sem alarmismo, com ciência e acolhimento.

O que é o Transtorno do Espectro Autista (TEA)?

O TEA é uma condição do neurodesenvolvimento que afeta a forma como a pessoa se comunica, interage socialmente e processa o mundo ao redor. É chamado de "espectro" porque se manifesta de formas muito variadas — desde crianças que falam pouco até crianças verbais com dificuldades sociais sutis.

No Brasil, estima-se que 1 a cada 36 crianças esteja no espectro autista (dados do CDC, 2023). O diagnóstico precoce e a intervenção nos primeiros anos de vida fazem uma diferença enorme no desenvolvimento.

As duas áreas principais de sinais

Os sinais do TEA se organizam em duas grandes áreas:

1. Comunicação e interação social

  • Dificuldade em fazer contato visual
  • Pouco interesse em interagir com outras pessoas
  • Não compartilha interesses (não aponta, não mostra coisas)
  • Dificuldade em entender expressões faciais e emoções
  • Pouca reciprocidade nas interações ("conversa de mão única")

2. Padrões restritos e repetitivos

  • Movimentos repetitivos (flapping, balanço, girar objetos)
  • Interesses muito intensos e restritos
  • Necessidade rígida de rotina
  • Hiper ou hipossensibilidade sensorial (sons, texturas, luzes)
  • Brincadeira pouco variada ou repetitiva

Sinais de alerta por faixa etária

Bebês (0 a 12 meses)

Nessa fase, os sinais são mais sutis e nem sempre fáceis de identificar. Observe:

  • Pouco contato visual — não olha nos olhos de quem cuida dele
  • Não sorri socialmente — não retribui sorrisos até os 6 meses
  • Não balbucia — não faz sons como "ba-ba", "ma-ma" até os 12 meses
  • Não acompanha objetos — pouco interesse visual em rostos e brinquedos
  • Não estende os braços para ser pego no colo
  • Rigidez ou flacidez muscular incomum

A ausência de balbucio aos 12 meses, por si só, já justifica uma avaliação. Não é necessário esperar mais sinais para buscar um profissional.

Bebês maiores (12 a 18 meses)

  • Não aponta para mostrar coisas ou pedir algo
  • Não responde ao nome quando chamado
  • Não faz gestos comunicativos (tchau, manda beijo)
  • Pouco interesse em brincadeiras de interação (cadê-achou, esconde-esconde)
  • Não imita ações ou sons
  • Regressão — perdeu habilidades que já tinha

Crianças (18 meses a 3 anos)

Essa é a fase em que os sinais costumam ficar mais claros:

  • Não fala palavras ou fala poucas (atraso de fala)
  • Ecolalia — repete frases de desenhos ou frases ouvidas fora de contexto
  • Prefere brincar sozinha e tem pouco interesse em outras crianças
  • Brincadeira repetitiva — enfileirar objetos, girar rodas, abrir e fechar portas
  • Não faz brincadeira de faz-de-conta (fingir que cozinha, dar comidinha à boneca)
  • Crises intensas diante de mudanças de rotina
  • Seletividade alimentar extrema
  • Hiper-reatividade a sons (tampa os ouvidos, se assusta facilmente)

Dica da Dra. Amanda

A presença de um ou dois sinais isolados não significa que seu filho tem autismo. O que importa é o conjunto de sinais, a persistência e o impacto no desenvolvimento. Por isso a avaliação profissional é tão importante.

Crianças maiores (3 a 6 anos)

Em crianças que entram na escola, podem surgir:

  • Dificuldade em fazer amigos e brincar em grupo
  • Conversas unilaterais — fala muito sobre seus interesses sem perceber o outro
  • Dificuldade em entender piadas, ironias e figuras de linguagem
  • Apego intenso a rotinas e sofrimento quando algo muda
  • Interesses muito específicos (dinossauros, planetas, números)
  • Dificuldade com empatia — não porque não sente, mas porque processa de forma diferente

Meninas e o autismo "invisível"

Historicamente, o autismo foi mais diagnosticado em meninos. Mas pesquisas recentes mostram que muitas meninas estão no espectro e não são diagnosticadas porque seus sinais se manifestam de forma diferente:

  • Tendem a imitar comportamentos sociais (masking/camuflagem)
  • Podem ter amizades intensas (mas com dificuldade de mantê-las)
  • Seus interesses restritos são mais "socialmente aceitos" (animais, desenho, leitura)
  • Podem parecer "tímidas" ou "ansiosas" em vez de autistas

Se você tem uma filha que "parece diferente", que se esforça muito para se encaixar e que sofre nos contextos sociais, vale investigar. Muitas mulheres só recebem o diagnóstico na vida adulta.

O papel da médica na detecção precoce

Na minha prática clínica, meu trabalho é acompanhar o desenvolvimento do seu filho em cada consulta e identificar sinais que merecem investigação. Eu utilizo:

  • Acompanhamento de marcos do desenvolvimento — motor, linguagem, social, cognitivo
  • Triagens padronizadas — como o M-CHAT-R, aplicado entre 16 e 30 meses
  • Observação clínica — como a criança interage comigo, com os pais e com o ambiente
  • Escuta ativa dos pais — ninguém conhece seu filho melhor do que você

E se meu filho receber o diagnóstico?

Receber o diagnóstico de TEA pode ser um momento muito emocional. É normal sentir medo, tristeza, confusão e até alívio — por finalmente ter uma explicação. Eu quero que você saiba:

  1. Diagnóstico não é sentença — é o começo de um caminho com direção
  2. Intervenção precoce muda trajetórias — terapias nos primeiros anos aproveitam a neuroplasticidade cerebral
  3. Seu filho continua sendo seu filho — com suas qualidades, potências e singularidades
  4. Você não está sozinha — existem profissionais, grupos de apoio e uma comunidade inteira pronta para caminhar com você

Quais intervenções existem?

  • ABA (Análise do Comportamento Aplicada) — abordagem baseada em evidências para desenvolver habilidades
  • Fonoaudiologia — para comunicação e linguagem
  • Terapia ocupacional — para questões sensoriais e habilidades do dia a dia
  • Psicologia — para habilidades sociais e regulação emocional
  • Acompanhamento médico — para o cuidado integral e coordenação das terapias

O que você pode fazer agora

  • Confie na sua intuição — se algo não parece certo, investigue
  • Não espere — "esperar para ver" pode significar perder tempo precioso
  • Busque avaliação profissional — posso avaliar o desenvolvimento do seu filho e orientar os próximos passos
  • Fale com a escola — compartilhe suas observações e peça feedback
  • Cuide de você — o processo de investigação é intenso; busque apoio emocional

Se você identificou sinais no seu filho e quer uma avaliação cuidadosa, me procure. Vamos olhar para o desenvolvimento dele com atenção, sem pressa e sem julgamentos. Cada criança merece ser vista na sua individualidade.

Dra. Amanda Laina

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Agende uma consulta e vamos conversar sobre o desenvolvimento do seu filho(a) com calma e carinho.

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