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Dra. Amanda Laina
Pediatria Geral

Calendário de vacinas 2026: guia completo para pais

Confira o calendário de vacinação 2026 atualizado, com todas as vacinas por idade, recomendações da SBP e SBIm, e tire suas principais dúvidas.

Dra. Amanda Laina
Dra. Amanda LainaMédica | CRM BA 37459
6 de março de 202612 min de leitura
Bebê sorrindo durante consulta de vacinação

Poucas coisas geram tantas dúvidas quanto o calendário de vacinação. Toda semana ouço perguntas como: "Dra. Amanda, meu filho está com o calendário atrasado, e agora?", "Preciso dar a vacina da clínica particular ou a do posto é igual?", "Meu bebê ficou com febre depois da vacina, é normal?". São dúvidas legítimas, e eu entendo que o volume de informações (e de desinformação) pode ser confuso.

Por isso, preparei este guia completo sobre o calendário de vacinação 2026. Vou explicar cada vacina por faixa etária, o que ela protege, quais são as recomendações do Programa Nacional de Imunizações (PNI), o que a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomendam além do calendário público, e responder às dúvidas mais comuns que recebo no consultório.

Por que vacinar é tão importante

Vacinar é, sem dúvida, uma das medidas de saúde pública mais eficazes já criadas. As vacinas são responsáveis pela erradicação da varíola, pela quase eliminação da poliomielite e pela redução drástica de doenças como sarampo, difteria, tétano e coqueluche.

Quando seu filho é vacinado, ele não está protegido apenas individualmente. Ele contribui para a imunidade coletiva — quando a maioria da população está vacinada, mesmo quem não pode ser vacinado (recém-nascidos, imunossuprimidos) fica indiretamente protegido.

A queda nas coberturas vacinais nos últimos anos é preocupante. O Brasil já viu o retorno do sarampo e enfrenta risco de reintrodução da poliomielite. Manter o calendário em dia não é apenas uma escolha individual — é um ato de responsabilidade coletiva.

Calendário de vacinação 2026: vacinas por idade

A seguir, apresento as vacinas recomendadas por faixa etária, incluindo tanto as disponíveis no SUS (PNI) quanto as recomendações complementares da SBIm/SBP disponíveis em clínicas privadas.

Ao nascer

VacinaProtege contraDosesDisponível no SUS
BCGFormas graves de tuberculose (meníngea e miliar)Dose únicaSim
Hepatite BHepatite B1ª dose (nas primeiras 12h de vida)Sim

A BCG é aquela vacina que deixa a marquinha no braço direito do bebê. Deve ser aplicada o mais cedo possível, preferencialmente ainda na maternidade. A vacina contra hepatite B também deve ser aplicada nas primeiras 12 horas de vida.

2 meses

VacinaProtege contraDosesDisponível no SUS
Pentavalente (DTPa/DTPw + Hib + HB)Difteria, tétano, coqueluche, Haemophilus influenzae b, hepatite B1ª doseSim (DTPw); DTPa em clínicas
VIP (poliomielite inativada)Poliomielite (paralisia infantil)1ª doseSim
Pneumocócica 13 ou 15-valenteDoenças pneumocócicas (pneumonia, meningite, otite)1ª doseSim (10v no SUS); 13v/15v em clínicas
RotavírusGastroenterite por rotavírus1ª doseSim (monovalente); pentavalente em clínicas
Meningocócica BDoença meningocócica tipo B1ª doseNão (clínicas privadas)

DTPw versus DTPa: qual a diferença?

Ambas protegem contra difteria, tétano e coqueluche. A DTPw (célula inteira), disponível no SUS, é eficaz, mas causa mais reações (febre, irritabilidade). A DTPa (acelular), disponível em clínicas, causa significativamente menos efeitos colaterais. A proteção é equivalente. Se possível, a SBIm recomenda a DTPa, mas a DTPw do SUS é uma excelente vacina.

3 meses

VacinaProtege contraDosesDisponível no SUS
Meningocócica C ou ACWYDoença meningocócica1ª doseSim (MenC no SUS); ACWY em clínicas

A SBIm recomenda preferencialmente a vacina meningocócica ACWY em vez da meningocócica C isolada, pois oferece proteção mais ampla contra 4 sorogrupos.

4 meses

Repetição das vacinas de 2 meses (2ª dose):

VacinaDoses
Pentavalente2ª dose
VIP2ª dose
Pneumocócica2ª dose
Rotavírus2ª dose
Meningocócica B2ª dose (se iniciou aos 2 meses)

5 meses

VacinaProtege contraDosesDisponível no SUS
Meningocócica C ou ACWYDoença meningocócica2ª doseSim (MenC)

6 meses

VacinaDosesObservação
Pentavalente3ª doseCompleta o esquema primário
VIP3ª dose
Rotavírus pentavalente3ª doseApenas se usar a vacina pentavalente (clínicas)
Influenza (gripe)1ª doseA partir dos 6 meses, anualmente

A vacina da gripe (influenza) é recomendada anualmente para todas as crianças de 6 meses a 6 anos. Na primeira vez, são necessárias 2 doses com intervalo de 30 dias. Nos anos seguintes, dose única anual. O SUS oferece durante as campanhas; nas clínicas, está disponível o ano todo.

9 meses

VacinaProtege contraDosesDisponível no SUS
Febre AmarelaFebre amarelaDose únicaSim

12 meses (1 ano)

VacinaDosesObservação
Tríplice viral (SCR)1ª doseSarampo, caxumba, rubéola
PneumocócicaReforço
Meningocócica C ou ACWYReforço
Hepatite A1ª dose
Varicela1ª doseCatapora (SBIm recomenda tetra viral)
Meningocócica BReforçoSe iniciou esquema

A SBIm recomenda utilizar a tetra viral (sarampo, caxumba, rubéola + varicela) em vez de aplicar tríplice viral e varicela separadamente, quando disponível.

15 meses

VacinaDosesObservação
DTP1º reforçoDifteria, tétano, coqueluche
VOP ou VIP1º reforçoPoliomielite
Tetra viral ou Tríplice viral + Varicela2ª dose
Hepatite A2ª doseSBIm recomenda; SUS dá dose única

4 a 6 anos

VacinaDosesObservação
DTP2º reforço
VOP ou VIP2º reforço
Varicela2ª doseSe não fez aos 15 meses

9 a 14 anos

VacinaDosesObservação
HPV2 doses (intervalo de 6 meses)Meninas e meninos — previne câncer de colo de útero, pênis, ânus, orofaringe
Meningocócica ACWYReforçoDisponível no SUS para adolescentes
DengueEsquema conforme indicaçãoPara quem já teve dengue confirmada (Qdenga)

A vacina contra o HPV é uma das mais importantes da adolescência. O HPV é responsável por praticamente todos os casos de câncer de colo de útero, além de outros tipos de câncer. A vacina é segura, eficaz e disponível gratuitamente no SUS para meninas e meninos de 9 a 14 anos. Quanto mais cedo, melhor a resposta imunológica.

Vacinas complementares recomendadas pela SBIm

Além do calendário do PNI (SUS), a SBIm e a SBP recomendam algumas vacinas que não estão disponíveis na rede pública, mas oferecem proteção adicional importante:

VacinaFaixa etáriaPor que considerar
Meningocócica BA partir de 2 mesesProteção contra o sorogrupo B, responsável por muitos casos de meningite
Meningocócica ACWY (em vez de C)A partir de 3 mesesProteção mais ampla contra 4 sorogrupos
Pneumocócica 13 ou 15-valente (em vez de 10v)A partir de 2 mesesProteção contra mais sorotipos
DTPa (em vez de DTPw)A partir de 2 mesesMenos efeitos colaterais
HexavalenteA partir de 2 mesesSubstitui pentavalente + VIP em uma única aplicação
Hepatite A (2ª dose)18 mesesSUS dá dose única; SBIm recomenda 2 doses

Posso misturar vacinas do SUS com as da clínica?

Sim, sem nenhum problema. Você pode, por exemplo, fazer a maioria das vacinas no posto de saúde e complementar com a meningocócica B na clínica particular. O importante é que o calendário fique completo. Converse com o pediatra do seu filho para montar o melhor esquema para a sua realidade.

Reações vacinais: o que esperar

É completamente normal que as vacinas causem algumas reações. Isso é, na verdade, um sinal de que o sistema imunológico está respondendo. As reações mais comuns são:

Reações locais (no local da aplicação):

  • Dor, vermelhidão e inchaço — comuns, duram 1 a 3 dias
  • Nódulo endurecido — pode durar algumas semanas

Reações sistêmicas:

  • Febre baixa a moderada (até 38,5°C) — especialmente após pentavalente e pneumocócica
  • Irritabilidade e choro
  • Sonolência
  • Diminuição do apetite
  • Diarreia leve (após rotavírus)

O que fazer:

  • Febre: Paracetamol ou dipirona na dose orientada pelo pediatra. Não use ibuprofeno em menores de 6 meses.
  • Dor local: Compressas frias (não geladas) podem ajudar.
  • Irritabilidade: Ofereça colo, amamentação e conforto.

Procure atendimento médico se a febre for acima de 39,5°C, se durar mais de 48 horas, se houver choro inconsolável por mais de 3 horas, convulsões, ou reação alérgica grave (inchaço no rosto, dificuldade para respirar).

Mitos sobre vacinação — vamos esclarecer

"Vacinas causam autismo"

Falso. Esse mito surgiu de um estudo fraudulento publicado em 1998, cujo autor teve o registro médico cassado. Dezenas de estudos com milhões de crianças comprovaram que não existe nenhuma relação entre vacinas e autismo.

"Muitas vacinas ao mesmo tempo sobrecarregam o sistema imunológico"

Falso. O sistema imunológico do bebê é capaz de responder a milhares de antígenos simultaneamente. As vacinas representam uma fração mínima desse potencial. Atrasar vacinas para "dar menos de uma vez" só expõe a criança por mais tempo sem proteção.

"Se a doença não existe mais, não precisa vacinar"

Falso. As doenças deixaram de circular justamente por causa das vacinas. Quando a cobertura vacinal cai, as doenças voltam — como aconteceu com o sarampo no Brasil entre 2018 e 2019.

"Vacinas enfraquecem a imunidade natural"

Falso. Vacinas treinam o sistema imunológico sem causar a doença. A "imunidade natural" muitas vezes vem ao custo de complicações graves, hospitalizações e até óbito.

"É melhor esperar o bebê crescer um pouco antes de vacinar"

Falso. O calendário vacinal é pensado para proteger exatamente no período de maior vulnerabilidade. Atrasar vacinas aumenta o risco da criança contrair doenças preveníveis.

Calendário atrasado: o que fazer

Se o calendário do seu filho está atrasado, não se preocupe — dá para resolver. Eis o que você precisa saber:

  • Nunca é preciso recomeçar o esquema do zero. Todas as doses já aplicadas contam.
  • O pediatra vai avaliar quais vacinas estão pendentes e montar um plano de atualização.
  • É possível aplicar várias vacinas na mesma visita para acelerar a atualização.
  • Algumas vacinas têm idade máxima para aplicação (rotavírus, por exemplo, não pode ser dada após 8 meses na versão monovalente).

Dica prática

Leve sempre a caderneta de vacinação nas consultas pediátricas. Se perdeu a caderneta, a Unidade Básica de Saúde pode ter o registro do seu filho. Algumas clínicas privadas também mantêm registros digitais.

Vacinação em prematuros

Bebês prematuros devem seguir o calendário de acordo com a idade cronológica, não a idade corrigida. Ou seja, um bebê que nasceu com 32 semanas e tem 2 meses de vida deve tomar as vacinas de 2 meses normalmente.

Algumas particularidades:

  • BCG: Aplicar quando o bebê atingir 2 kg
  • Hepatite B: Aplicar ao nascer, independente do peso. Prematuros com menos de 2 kg devem receber uma dose adicional (esquema de 4 doses)
  • Palivizumabe: Não é uma vacina, mas um anticorpo monoclonal contra o vírus sincicial respiratório (VSR), indicado para prematuros de alto risco durante a sazonalidade
  • A vacina da gripe é especialmente importante para prematuros, que têm mais risco de complicações respiratórias

Se o seu bebê é prematuro, a vacinação é ainda mais importante. Prematuros têm um sistema imunológico mais imaturo e são mais vulneráveis a infecções. Não atrase o calendário — converse com o neonatologista ou pediatra para garantir que tudo esteja em dia.

Vacina da dengue: o que mudou

A vacina Qdenga (TAK-003) está disponível no Brasil e foi incorporada ao SUS para crianças de 10 a 14 anos em regiões endêmicas. Em clínicas privadas, está disponível a partir de 4 anos.

Pontos importantes:

  • São 2 doses com intervalo de 3 meses
  • Pode ser aplicada em pessoas que já tiveram ou não tiveram dengue (diferente da Dengvaxia, que exigia infecção prévia)
  • Recomendada em áreas com circulação do vírus

Como organizar o calendário vacinal

Algumas dicas práticas para não se perder:

  1. Fotografe a caderneta de vacinação e guarde no celular
  2. Anote as próximas datas no calendário do celular com lembrete
  3. Pergunte ao pediatra em toda consulta se há alguma vacina pendente
  4. Conheça o calendário do SUS da sua cidade — algumas vacinas têm campanhas sazonais
  5. Não espere a campanha para vacinar — se está na hora, vá à UBS

Sei que o calendário vacinal pode parecer complexo, e é natural ter dúvidas. O mais importante é que você entenda que cada vacina foi pensada para proteger seu filho de doenças que podem ser graves. Não deixe o medo de reações (que são geralmente leves e passageiras) superar a proteção que as vacinas oferecem. Se você tem dúvidas sobre o calendário do seu filho, se precisa atualizar vacinas atrasadas ou se quer discutir quais vacinas complementares são indicadas, entre em contato comigo. Juntos, vamos montar o melhor esquema de proteção para o seu pequeno.

Dra. Amanda Laina

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